António Costa Peixoto, ex-diretor do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) e atual presidente da Liga dos Chineses em Portugal, garantiu, em depoimento como testemunha, que os montantes que recebeu entre 2012 e 2014 foram referentes a apoio prestado em questões fiscais e na área de verificação internacional.
A declaração de Costa Peixoto ocorreu durante uma audiência no Tribunal Central Criminal de Lisboa, no âmbito de uma investigação relacionada com a obtenção de vistos gold por cidadãos chineses. Durante o depoimento, o ex-diretor do SEF esclareceu que os valores recebidos por ele foram fruto de serviços prestados a empresas e cidadãos estrangeiros, e que estes serviços não estavam relacionados com a atribuição de vistos gold.
António Costa Peixoto afirmou que prestava serviços de consultoria fiscal e de verificação internacional, tendo como clientes empresas e cidadãos chineses que pretendiam investir em Portugal. Segundo ele, os montantes recebidos foram declarados às autoridades fiscais e não têm qualquer relação com a atribuição de vistos gold.
O ex-diretor do SEF também explicou que a sua atuação na atribuição de vistos gold era apenas administrativa e que não tinha qualquer poder de decisão sobre os mesmos. Costa Peixoto afirmou que apenas analisava os documentos apresentados pelos investidores e que a decisão final sobre a atribuição dos vistos era tomada por outros colegas do SEF.
Costa Peixoto demonstrou total cooperatividade durante o depoimento e respondeu a todas as questões colocadas pelos procuradores e pelos advogados de defesa dos arguidos. A sua postura calma e esclarecedora contribuiu para esclarecer as dúvidas sobre a sua atuação no processo de atribuição de vistos gold.
A sua prestação no tribunal também foi elogiada pelo juiz responsável pelo caso, que destacou a sua colaboração em esclarecer os factos e sua disponibilidade para prestar informações à justiça. O juiz afirmou que a atuação de Costa Peixoto foi fundamental para a investigação e que a sua versão dos acontecimentos será devidamente considerada durante o julgamento.
O depoimento de António Costa Peixoto é mais um passo na investigação relacionada com a atribuição de vistos gold em Portugal. O processo já conta com vários arguidos, entre eles o ex-ministro da Administração Interna Miguel Macedo, e tem suscitado polémica e debates sobre a transparência do sistema de vistos gold.
No entanto, a declaração de Costa Peixoto traz uma perspetiva diferente sobre o caso e pode ajudar a esclarecer as dúvidas sobre a atuação do SEF na atribuição de vistos gold. A sua afirmação de que não tinha qualquer poder de decisão sobre a atribuição dos vistos é um ponto importante a ser considerado durante o julgamento.
Além disso, o depoimento de António Costa Peixoto também serve para desmistificar a sua relação com os montantes recebidos entre 2012 e 2014. Ao esclarecer que os valores foram referentes a serviços de consultoria fiscal e verificação internacional, o ex-diretor do SEF afasta qualquer suspeita de que estes estivessem relacionados com a atribuição de vistos gold.
Em resumo, o depoimento de António Costa Peixoto traz um novo olhar sobre o caso dos vistos gold e pode ajudar a esclarecer a verdade sobre os acontecimentos. A sua postura cooperativa e esclarecedora no tribunal demonstra a sua confiança nos factos apresentados e contribui para uma maior transparência no processo de atribuição de vistos em Portugal
