A Inteligência Artificial (IA) tem sido um tema cada vez mais presente nas nossas vidas, desde a automação de tarefas simples até a criação de assistentes virtuais que nos ajudam no dia a dia. No entanto, o advogado e antigo governante Adolfo Mesquita Nunes alerta para um lado menos positivo dessa tecnologia: a sua influência nas democracias.
Em entrevista à Renascença, Mesquita Nunes discutiu o seu novo livro “Algoritmocracia”, lançado pela editora D.Quixote, no qual explora como a IA está a transformar as nossas democracias e a colocá-las em risco. Segundo o autor, a IA está a ser utilizada para manipular a opinião pública e influenciar os resultados de eleições, colocando em causa os princípios fundamentais da democracia.
Uma das principais preocupações de Mesquita Nunes é o uso de algoritmos para criar bolhas de informação, onde as pessoas são expostas apenas a conteúdos que reforçam as suas crenças e opiniões, criando uma polarização na sociedade. Isso pode levar a uma falta de diálogo e entendimento entre diferentes grupos, enfraquecendo a democracia e a capacidade de tomar decisões coletivas.
Além disso, a IA também está a ser utilizada para criar perfis detalhados dos eleitores, permitindo que os políticos direcionem as suas mensagens de forma mais eficaz e personalizada. Isso pode levar a uma manipulação da opinião pública, já que as pessoas podem ser expostas a informações falsas ou distorcidas sem sequer perceberem.
Mesquita Nunes também destaca a falta de transparência no uso da IA nas democracias. Muitas vezes, os algoritmos são criados por empresas privadas e não são divulgados publicamente, o que dificulta a compreensão de como eles funcionam e como podem influenciar as nossas decisões.
No entanto, o autor não é contra o uso da IA nas democracias. Ele acredita que a tecnologia pode ser uma ferramenta poderosa para melhorar a eficiência e a transparência dos processos democráticos. No entanto, é necessário um maior escrutínio e regulação para garantir que a IA seja utilizada de forma ética e responsável.
Uma das soluções propostas por Mesquita Nunes é a criação de uma agência reguladora independente, responsável por monitorizar o uso da IA nas democracias e garantir que os algoritmos sejam transparentes e não discriminatórios. Além disso, ele também defende a educação da população sobre os riscos e benefícios da IA, para que as pessoas possam tomar decisões informadas e críticas.
É importante lembrar que a IA é uma ferramenta e, como qualquer outra tecnologia, pode ser utilizada para o bem ou para o mal. Cabe a nós, enquanto sociedade, garantir que ela seja utilizada de forma ética e responsável, especialmente quando se trata de assuntos tão importantes como as nossas democracias.
Em resumo, o livro “Algoritmocracia” de Adolfo Mesquita Nunes é um alerta importante sobre os riscos da utilização da IA nas democracias. No entanto, também nos mostra que ainda há tempo para agir e garantir que a tecnologia seja utilizada para fortalecer, e não enfraquecer, os nossos sistemas democráticos. É necessário um debate aberto e uma ação conjunta para garantir que a IA seja uma aliada, e não uma ameaça, para as nossas democracias.






