“Estavam ferrugentas, cinzentas, eram tristes”. Essa era a descrição das celas das mães encarceradas no Estabelecimento Prisional de Tires, em Portugal. Mas, recentemente, essas mesmas celas ganharam novas cores e vida, graças a um projeto que foi muito além de simplesmente pintar portas e escrever palavras-chave. Em um trabalho de dois meses, as reclusas se uniram para transformar o ambiente em que vivem e, com isso, também transformaram suas próprias vidas.
A iniciativa surgiu da parceria entre a Renascença, uma rádio portuguesa, e a Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais (DGRSP). O objetivo era levar um pouco de esperança e alegria para as mães que cumprem pena na cadeia de Tires, muitas delas separadas de seus filhos pequenos. Através da arte e da criatividade, o projeto pretendia não só embelezar o espaço, mas também promover a integração e a autoestima das reclusas.
Durante dois meses, as mães encarceradas se dedicaram a pintar as portas das celas, utilizando cores vibrantes e desenhos que representavam suas histórias e sentimentos. Além disso, elas também escreveram palavras-chave nas paredes, como “amor”, “esperança” e “liberdade”, que serviram como lembretes diários de que é possível encontrar beleza e positividade mesmo em um lugar tão difícil como uma prisão.
O resultado foi surpreendente e emocionante. As celas, antes tristes e cinzentas, agora eram alegres e cheias de vida. As reclusas se sentiram motivadas e orgulhosas de terem participado do projeto, que trouxe um pouco de cor e esperança para suas vidas. O diretor da DGRSP, Celso Manata, ressaltou a importância dessa iniciativa: “A arte é um meio de reinserção social e de valorização da pessoa, e isso é fundamental para a ressocialização das reclusas”.
Além da transformação física do espaço, o projeto também teve um impacto emocional significativo nas mães encarceradas. Muitas delas relataram que se sentiram mais unidas e solidárias umas com as outras durante o processo de pintura e decoração das celas. A reclusa Joana (nome fictício), que participou do projeto, afirmou: “Foi um trabalho em conjunto, que nos uniu e nos fez sentir mais humanas. Foi um momento de desligar da prisão e de nos sentirmos livres por alguns instantes”.
A visita da Renascença à cadeia de Tires foi marcada por emoção e gratidão. Os jornalistas puderam ver de perto o resultado do projeto e conversar com as reclusas que participaram dele. Para a diretora da rádio, Graça Franco, foi uma experiência única e inspiradora: “Foi uma lição de vida ver essas mulheres transformando um espaço de tristeza em um espaço de esperança. Elas nos ensinaram que, mesmo nas condições mais difíceis, é possível encontrar beleza e alegria”.
O projeto das portas e palavras-chave é apenas uma das iniciativas realizadas pela DGRSP para promover a reinserção social das reclusas. Além disso, a direção da cadeia de Tires também tem trabalhado para melhorar as condições de vida das mães encarceradas e de seus filhos, oferecendo atividades educativas e recreativas para as crianças e promovendo o contato entre elas e suas mães.
Em um país onde a população carcerária feminina cresceu 50% nos últimos dez anos, iniciativas como essa são fundamentais para trazer um pouco de humanidade e dignidade para






