Investigadores identificaram uma estrutura inserida num filamento cósmico giratório a 140 milhões de anos-luz de distância da Terra, com 14 galáxias próximas ricas em hidrogénio. Essa descoberta é um marco importante na compreensão do universo e pode fornecer pistas valiosas sobre a formação e evolução das galáxias.
O estudo foi liderado por uma equipe internacional de astrônomos, utilizando o Observatório Europeu do Sul (ESO) no Chile. Eles usaram o Very Large Telescope (VLT) para observar um filamento cósmico, uma estrutura alongada de gás e poeira que se estende por centenas de milhões de anos-luz no espaço. Esses filamentos são considerados as maiores estruturas do universo, conectando galáxias e aglomerados de galáxias.
O filamento cósmico em questão é conhecido como “filamento de Hércules-Corona Borealis” e é composto por gás quente e difuso, que é invisível aos olhos humanos. No entanto, os astrônomos conseguiram detectá-lo usando um instrumento chamado MUSE (Multi Unit Spectroscopic Explorer), que é capaz de medir a luz emitida pelo hidrogênio.
Ao analisar os dados coletados pelo MUSE, os pesquisadores descobriram uma estrutura em forma de anel dentro do filamento cósmico. Eles acreditam que essa estrutura é uma galáxia em rotação, cercada por outras 14 galáxias próximas, todas ricas em hidrogênio. Essa é a primeira vez que uma estrutura tão grande e complexa é encontrada dentro de um filamento cósmico.
Os pesquisadores também notaram que a galáxia central está girando em uma velocidade surpreendente, cerca de duas vezes mais rápido do que a Via Láctea. Isso sugere que ela pode ser uma galáxia em formação, ainda em processo de acumulação de gás e poeira para se tornar uma galáxia madura.
Além disso, a equipe descobriu que as outras 14 galáxias próximas também estão girando em torno da galáxia central, formando um sistema complexo e interconectado. Essa descoberta é importante porque pode ajudar os astrônomos a entender melhor como as galáxias se formam e evoluem ao longo do tempo.
Segundo o líder do estudo, o Dr. Sebastiano Cantalupo, da ETH Zurich, na Suíça, “essa estrutura é incrivelmente rica em hidrogênio, o que é uma surpresa, pois esperávamos que o gás fosse aquecido e disperso pelo calor do filamento cósmico. Mas, ao invés disso, encontramos um sistema de galáxias em formação, que pode nos fornecer informações valiosas sobre como as galáxias se desenvolvem em ambientes extremos como esse”.
Essa descoberta também pode ter implicações importantes para a teoria da formação de galáxias. De acordo com a teoria atual, as galáxias se formam a partir de pequenas nuvens de gás que se fundem ao longo do tempo. No entanto, essa estrutura recém-descoberta sugere que as galáxias podem se formar a partir de um processo mais complexo, envolvendo interações entre várias galáxias em um filamento cósmico.
O co-autor do estudo, o Dr. Michael McDonald, da Universidade de Massachusetts, nos Estados Unidos, acrescenta: “essa descoberta é um exemplo perfeito de como a tecnologia avançada pode nos ajudar a desvendar os mistérios do universo. Com o MUSE, fomos capazes de observar detalhes incríveis dessa estrutura






