A noite de ontem foi marcada por um debate acalorado entre os candidatos à presidência da República, António José Seguro e Marques Mendes, transmitido pela RTP. Além das suas propostas e visões para o país, o debate também abordou temas polêmicos como a Operação Influencer, as escutas a António Costa e a reforma da justiça.
Seguro, candidato apoiado pelo Partido Socialista, ressaltou sua atuação como líder da oposição, enquanto Mendes, candidato apoiado pelo PSD, destacou sua atuação como comentarista político. No entanto, durante o debate, Mendes também fez questão de ressaltar uma possível diferença entre eles: a atitude que ambos teriam se fossem eleitos como presidente.
“Eu sou mais interventivo”, afirmou Mendes, ao ser questionado sobre como seria sua atuação na presidência. Essa declaração levanta a questão sobre qual seria o papel do presidente e como ele usaria sua influência para promover mudanças e melhorias no país.
A Operação Influencer, que investiga alegações de corrupção em contratos entre empresas de comunicação e influenciadores digitais, foi um dos temas debatidos. Seguro criticou a postura do atual presidente, Marcelo Rebelo de Sousa, por não ter atuado de forma mais ativa e vigilante em relação a essa questão. Segundo ele, é preciso que o presidente exerça seu papel de fiscalizador e zele pelo interesse público.
Já Mendes aproveitou o momento para reforçar sua proposta de reforma da justiça. Segundo ele, é necessário garantir que o sistema judicial seja mais eficiente e transparente, para que casos como este não ocorram. “Não podemos aceitar que haja influências e privilégios na justiça”, enfatizou o candidato.
No entanto, o ponto alto do debate foi quando o tema das escutas a António Costa foi abordado. Seguro defendeu que, se eleito, tomará todas as medidas necessárias para esclarecer essa questão e garantir que não haja mais interferência política nas instituições.
Mendes, por sua vez, ressaltou a importância da independência e do equilíbrio entre os poderes. “O presidente não deve ser apenas um espectador, deve ser um mediador entre os poderes”, afirmou. Segundo ele, é preciso garantir que haja um diálogo saudável e construtivo entre os órgãos do Estado.
Apesar das divergências entre os candidatos, ambos concordam que a atuação do presidente é fundamental para a estabilidade e o bom funcionamento do país. E, nesse sentido, Mendes fez questão de enfatizar sua experiência e conhecimento político. “Não quero ser um presidente que se limita a cumprir o protocolo, quero ser um presidente ativo e proativo”, afirmou.
Seguro, por sua vez, destacou sua visão de um país mais justo e igualitário, destacando seu histórico de lutas e conquistas como líder da oposição. “Eu quero ser um presidente próximo do povo, um presidente que ouve e age em prol de todos”, enfatizou.
Apesar de suas diferenças, os dois candidatos concordam que a reforma da justiça é urgente e necessária, assim como a transparência e a ética na política. E, mesmo com estilos e abordagens diferentes, ambos prometem ser presenças ativas e comprometidas na presidência.
Com apenas algumas semanas até as eleições, é fundamental que os eleitores analisem com cuidado as propostas e atuações dos candidatos, para que possam fazer uma escolha consciente e informada. O futuro do país está nas mãos do povo e é preciso que essa responsabilidade seja exercida de forma assertiva.
