A cota é um tema que gera muitos debates e discussões em nossa sociedade. Afinal, trata-se de uma política de ação afirmativa que tem como objetivo garantir a inclusão de grupos historicamente marginalizados no acesso à educação e, consequentemente, ao mercado de trabalho. E quando falamos sobre esse assunto, sempre surgem as mesmas perguntas: a cota realmente transforma? Como ela pode impactar a vida de uma pessoa?
Para responder a essas perguntas, vamos falar um pouco sobre a experiência de Henrique Silveira, ex-estudante cotista da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj). Em uma entrevista, Henrique afirmou: “Eu tenho muita clareza de que a cota transforma.” E ele é a prova disso. Nascido em uma família humilde na Baixada Fluminense, ele se beneficiou da política de cotas da Uerj e hoje é subsecretário de Tecnologias Sociais da prefeitura do Rio de Janeiro.
Para Henrique, essa oportunidade o permitiu deixar de ser um “menino atrás de uma carroça, um burro sem rabo”, como ele mesmo diz, para ser um líder na gestão pública. E ele não é o único. A Uerj foi pioneira na adoção de cotas sociais e raciais em seu vestibular, em 2003, e desde então, tem formado diversos profissionais capacitados e engajados em transformar a realidade do país. Mas, apesar do sucesso da iniciativa, a política de cotas passará por uma segunda revisão legislativa em 2028, quando vence a lei aprovada em 2018.
Em uma sociedade marcada por desigualdades, é fundamental que as instituições de ensino sejam espaços de inclusão e diversidade. Por isso, a Uerj está discutindo uma nova fase da política de cotas, conectando egressos e mapeando suas trajetórias profissionais. E para isso, reuniu ex-estudantes em um evento na reitoria da instituição. Afinal, nada melhor do que ouvir aqueles que já se beneficiaram da política para entender seu impacto e aprimorá-la cada vez mais.
Maiara Roque, dentista e também ex-cotista da Uerj, compartilhou sua experiência no evento. Ela ingressou na universidade em 2013 e relembra com emoção o dia em que passou no vestibular. No entanto, sua caminhada não foi fácil. Antes, a bolsa estudantil era limitada e os auxílios mais restritos, o que dificultava a permanência de estudantes cotistas. Mas mesmo com os desafios, Maiara não desistiu e hoje é uma profissional bem-sucedida, atuando em sua comunidade e quebrando preconceitos.
A política de cotas da Uerj também tem um impacto significativo no combate à desigualdade racial no país. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2019, apenas 11,7% dos estudantes pretos e 12,3% dos pardos tinham nível superior. No entanto, graças às cotas, esses números têm crescido, ainda que timidamente. Além disso, pesquisas comprovam que não há diferença de desempenho entre os estudantes cotistas e não cotistas. Ou seja, a política não só beneficia aqueles que têm a oportunidade de estudar, como também quebra estereótipos e mostra que todos são capazes de alcançar o sucesso, independentemente de sua origem.
Mas a luta pela igualdade não pode parar por aí. Os egressos da Uerj avaliam que o recorte socioeconômico é uma barreira que precisa ser derrubada. Atualmente, para concorrer às cotas,
