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As queixas dos agricultores e o alívio nos bolsos. O acordo UE-Mercosul em debate

Recentemente, o Parlamento Europeu enviou ao Tribunal de Justiça da União Europeia o documento que ratifica o acordo comercial entre a UE e o Mercosul. Este acordo, que visa promover o estabelecimento de uma zona de livre comércio entre as duas regiões, tem sido motivo de debate entre vários setores da sociedade. E esse debate foi ainda mais acalorado após o encontro entre a eurodeputada Lídia Pereira, do Partido Social Democrata (PSD), e o deputado João Oliveira, do Partido Comunista Português (PCP), onde mostraram suas divergências em relação ao acordo.

O encontro, promovido pelo Parlamento Europeu, tinha como objetivo discutir as questões mais controversas que têm sido levantadas em relação ao acordo UE-Mercosul, como as preocupações dos agricultores europeus e os possíveis benefícios para os consumidores. E as opiniões dos dois representantes portugueses foram bem distintas, mostrando as diferentes visões que existem em torno desse assunto.

Lídia Pereira, que é membro da Comissão de Comércio Internacional do Parlamento Europeu, defendeu o acordo como uma oportunidade para o aumento das exportações da UE e para a abertura de novos mercados para os produtos europeus. Afirmou que, com a implementação do acordo, deverá haver um crescimento econômico significativo nos países envolvidos e a criação de cerca de 4 milhões de empregos na UE. Além disso, enfatizou a importância de se estabelecer regras claras em relação às questões ambientais e trabalhistas, que estão incluídas no acordo.

Por outro lado, João Oliveira expressou preocupação com os possíveis impactos do acordo na agricultura europeia. O deputado do PCP alertou para o aumento da importação de produtos agrícolas do Mercosul, que poderão gerar uma concorrência desleal com os produtores europeus. Além disso, levantou questões sobre o uso de agrotóxicos e a degradação do meio ambiente em países do Mercosul, que podem prejudicar a qualidade dos produtos importados. Oliveira também destacou a falta de transparência nas negociações do acordo e a falta de consulta popular sobre o assunto.

Apesar das diferenças, ambos concordaram que é necessário discutir e analisar com cautela o acordo UE-Mercosul, para garantir que ele traga benefícios para ambas as partes. Lídia Pereira ressaltou que o Parlamento Europeu terá um papel importante na monitorização do acordo e na garantia de que os compromissos assumidos serão cumpridos. Já João Oliveira defendeu que é preciso garantir a proteção dos interesses dos agricultores europeus e que o acordo não pode ser implementado de forma apressada, sem a devida avaliação.

Outro ponto discutido no encontro foi a recente decisão de Portugal em solicitar ao Tribunal de Justiça da UE uma análise da compatibilidade do acordo com os objetivos do Acordo de Paris sobre mudanças climáticas. Lídia Pereira destacou que a proteção do meio ambiente também é uma prioridade para o Parlamento Europeu e que o acordo UE-Mercosul está alinhado com as metas de redução de emissões de carbono. Já João Oliveira acredita que o pedido de Portugal é um passo importante para garantir a proteção do meio ambiente e que a análise deve ser feita com bastante rigor.

Apesar das divergências, ambos os representantes concordaram que é importante manter o diálogo e continuar acompanhando de perto os desdobramentos do acordo UE-Mercosul. Também destacaram a importância de incluir a sociedade civil nesse debate, garantindo que os interesses de todos sejam representados.

É necessário lembrar que o

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