António Guterres, antigo primeiro-ministro de Portugal e atual Secretário-Geral das Nações Unidas, manifestou preocupação com a escolha de Luís Neves para o cargo de Secretário-Geral do Ministério da Administração Interna. Em declarações recentes, Guterres considerou que esta nomeação é um “precedente grave” e pode comprometer a independência e eficácia das forças de segurança.
Luís Neves, até então diretor da Unidade Nacional de Combate ao Cibercrime e à Criminalidade Tecnológica (UNC3T), foi nomeado pelo governo de António Costa para o cargo de secretário-geral do Ministério da Administração Interna. A escolha foi alvo de críticas e suscitou preocupação por parte do antigo primeiro-ministro.
Guterres, que desempenhou o cargo de primeiro-ministro de Portugal entre 1995 e 2002, destacou a importância da independência e autonomia das forças de segurança no exercício das suas funções. Para ele, a nomeação de Luís Neves pode representar um retrocesso nesse sentido.
O antigo primeiro-ministro enfatizou que Luís Neves, apesar de ser um profissional competente, tem um perfil mais técnico e menos político. Guterres salientou que o cargo de secretário-geral do Ministério da Administração Interna requer uma figura com um perfil mais político, capaz de lidar com as diferentes forças de segurança e de tomar decisões estratégicas.
Além disso, Guterres ressaltou que a nomeação de Luís Neves para este cargo pode criar um precedente perigoso, uma vez que coloca um profissional de uma força de segurança específica no comando de todas as outras. Isto pode gerar conflitos de interesse e comprometer a independência e eficácia das forças de segurança, que devem atuar de forma imparcial e sem interferências políticas.
A escolha de Luís Neves também foi criticada pela Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP/PSP), que chegou a pedir uma audiência com o primeiro-ministro para expressar a sua preocupação. Para esta associação, a nomeação de um profissional da UNC3T para o cargo de secretário-geral do Ministério da Administração Interna pode afetar a relação de confiança entre as diferentes forças de segurança e o governo.
Em resposta às críticas, o governo alegou que a nomeação de Luís Neves foi feita com base no seu mérito e competência, e que este profissional tem todas as capacidades para desempenhar o cargo de forma eficaz. No entanto, a polémica em torno desta escolha continua a gerar discussão e preocupação.
É importante lembrar que as forças de segurança são fundamentais para garantir a segurança e a ordem pública em qualquer país. Por isso, é essencial que elas atuem com autonomia e imparcialidade, sem interferências políticas. A nomeação de um profissional de uma força de segurança específica para o cargo de secretário-geral do Ministério da Administração Interna pode colocar em risco essa independência e prejudicar a eficácia da atuação dessas forças.
Espera-se que o governo reavalie esta escolha e tome medidas para garantir que a independência e a eficácia das forças de segurança sejam preservadas. O diálogo e a cooperação entre as diferentes forças de segurança são essenciais para um país seguro e democrático, e é importante que o governo leve em consideração as preocupações levantadas pelo antigo primeiro-ministro e por outras entidades.
Em conclusão, a escolha de Luís Neves para o cargo de secretário-geral do Ministério da Administração Interna é um assunto que merece atenção
