Centro de investigação da Fundação Belmiro de Azevedo analisou dados de mais de 720 mil alunos referentes a uma década e concluiu que o acesso ao Ensino Superior ainda mantém desigualdades. O estudo, realizado pelo Centro de Investigação em Educação e Formação (CIEF) da Fundação Belmiro de Azevedo, teve como objetivo analisar a evolução do acesso ao Ensino Superior em Portugal e identificar possíveis desigualdades no acesso a esta etapa de ensino.
Os dados analisados abrangem um período de 10 anos, entre 2008 e 2018, e incluem informações de mais de 720 mil alunos que ingressaram no Ensino Superior neste período. O estudo revelou que, apesar dos avanços na democratização do acesso ao Ensino Superior, ainda existem desigualdades que precisam ser combatidas.
Uma das principais conclusões do estudo é que o acesso ao Ensino Superior ainda é influenciado pela origem socioeconômica dos alunos. Ou seja, alunos provenientes de famílias com maior poder aquisitivo têm mais chances de ingressar no Ensino Superior do que alunos de famílias com menor poder aquisitivo. Além disso, o estudo também apontou que alunos de escolas privadas têm mais chances de ingressar no Ensino Superior do que alunos de escolas públicas.
Essas desigualdades no acesso ao Ensino Superior são preocupantes, pois limitam as oportunidades de desenvolvimento e ascensão social de muitos jovens. Por isso, o estudo recomenda que sejam criados ou reforçados subsídios que contrariem essa realidade e garantam um acesso mais justo e igualitário ao Ensino Superior.
Uma das medidas sugeridas pelo estudo é a criação de bolsas de estudo para alunos de baixa renda que desejam ingressar no Ensino Superior. Essas bolsas poderiam cobrir parte ou até mesmo a totalidade das despesas com a mensalidade e materiais escolares, permitindo que esses alunos tenham as mesmas oportunidades de acesso ao Ensino Superior que os alunos de famílias mais abastadas.
Além disso, o estudo também recomenda a implementação de políticas de ação afirmativa, como cotas para alunos de escolas públicas e para estudantes negros, indígenas e de baixa renda. Essas medidas têm como objetivo promover a inclusão e a diversidade no Ensino Superior, garantindo que todos tenham as mesmas oportunidades de acesso e de sucesso acadêmico.
Outra sugestão do estudo é o reforço de programas de orientação vocacional e de apoio ao estudo, principalmente para alunos de escolas públicas. Muitas vezes, esses alunos não têm acesso a informações sobre as diferentes áreas de estudo e carreiras, o que pode limitar suas escolhas e oportunidades no futuro. Além disso, o apoio ao estudo pode ajudar esses alunos a superar possíveis dificuldades e a se preparar melhor para o ingresso no Ensino Superior.
É importante ressaltar que o acesso ao Ensino Superior não deve ser visto apenas como uma questão de mérito individual, mas sim como uma questão de justiça social. Todos os jovens têm o direito de ter acesso à educação de qualidade e de buscar seu desenvolvimento pessoal e profissional. Por isso, é fundamental que sejam criadas políticas e medidas que garantam um acesso mais justo e igualitário ao Ensino Superior.
O estudo realizado pelo Centro de Investigação em Educação e Formação (CIEF) da Fundação Belmiro de Azevedo é um importante alerta para a necessidade de se combater as desigualdades no acesso ao Ensino Superior. É preciso que as autoridades e instituições de ensino se unam para criar e fortalecer políticas e medidas que garantam um acesso mais justo e igualitário






