Publicação polêmica de Jason Miller envolvendo ministro Moraes
Jason Miller, assessor próximo do presidente norte-americano Donald Trump, divulgou nas redes sociais uma imagem criada por inteligência artificial que retrata o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), usando uma tornozeleira eletrônica. O conteúdo foi compartilhado no domingo à noite (13 de setembro), gerando repercussão imediata entre políticos e especialistas em comunicação digital.
A imagem de Moraes mostra o ministro sentado em uma escadaria que simula a entrada do prédio do Supremo Tribunal Federal, com a tornozeleira visível no tornozelo. A publicação de Miller acompanhava um trecho de reportagem do jornal Financial Times que aborda a crise enfrentada pela instituição judiciária brasileira nos últimos meses.
Contexto da publicação e relação com Financial Times
Miller reproduziu em sua rede social um fragmento do Financial Times que estabelece conexão entre o escândalo envolvendo o Banco Master e a atuação do ministro Moraes. O jornal internacional afirma que as revelações mergulharam o STF em uma crise considerada sem precedentes dentro da instituição.
Conforme o trecho veiculado pelo ex-assessor de Trump, a cobertura do Financial Times associa Moraes aos desdobramentos de um colapso financeiro que afetou o Banco Master, instituição com movimentação de bilhões de dólares. "Essa revelação fez de Moraes um dos principais focos do crescente escândalo de corrupção provocado pelo colapso, no ano passado, do Banco Master, uma instituição financeira de US$ 10 bilhões", informava o material publicado por Miller.
Histórico de críticas de Miller contra autoridades brasileiras
Essa não é a primeira vez que Jason Miller utiliza suas redes sociais para formular críticas direcionadas a autoridades do sistema judiciário brasileiro. Durante o ano anterior, ele já havia feito diversas postagens direcionadas à atuação específica do ministro Moraes em diferentes contextos políticos.
Em agosto de 2025, o ex-assessor ultrapassou o foco no ministro do STF e estendeu suas críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), utilizando linguagem bastante agressiva. Miller comparou Lula ao ex-presidente norte-americano Joe Biden e fez afirmações sobre condições mentais do mandatário brasileiro, argumentando que ele possuía um "cérebro de banana amassada".
Perfil profissional e proximidade com Trump
Miller ocupou posição estratégica durante o primeiro mandato de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos, atuando como um dos principais assessores da administração. Após a vitória eleitoral recente, ele integrou a equipe de transição presidencial e mantém relação próxima e contínua com Trump, permanecendo influente nos círculos políticos da administração.
A trajetória de Miller demonstra conexão durável com o ambiente político norte-americano de direita. Sua atuação em redes sociais configura-se como ferramenta de comunicação política para amplificar narrativas e críticas alinhadas com perspectivas do círculo trumpista.
Incidente anterior com autoridades brasileiras
Em 2021, Miller vivenciou um episódio direto com as autoridades judiciárias brasileiras. Após realizar uma viagem a Brasília, durante a qual visitou o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), o assessor norte-americano foi abordado por policiais no Aeroporto Internacional de Brasília e encaminhado à sala da Polícia Federal.
Miller foi ouvido no âmbito do Inquérito das Fake News, que era conduzido pelo próprio ministro Alexandre de Moraes à época. O incidente marca a existência prévia de interações formais entre Miller e a estrutura investigativa brasileira representada por Moraes.
A crise institucional no Supremo Tribunal Federal
O contexto político que envolve as críticas de Miller está ligado a uma crise profunda vivenciada pelo STF. A situação intensificou-se no início de setembro, quando o ministro André Mendonça retirou o sigilo de um relatório produzido pela Polícia Federal sobre as investigações relacionadas ao Banco Master.
O documento revelou comunicações e interações entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Moraes, estabelecendo vínculos que geraram questionamentos sobre possíveis conflitos de interesse dentro da instituição judiciária máxima do país.
Desdobramentos e tensões internas
As apurações sobre o Banco Master trouxeram à superfície relacionamentos de Vorcaro com outros membros da Corte, além de negócios que envolviam familiares de ministros. Esses achados amplificaram as discussões sobre integridade e possíveis desvios de conduta institucional.
A divulgação do material provocou um embate público dentro do Supremo. Moraes respondeu de forma reativa, solicitando a abertura de investigação contra Mendonça por suposto abuso de autoridade. A tensão cresceu quando decisões conflitantes entre ministros foram tomadas, criando paralisia institucional.
Medidas adotadas pelo presidente do STF
Diante da escalada de tensões, o presidente do STF, Luiz Fux Fachin, centralizou as decisões relacionadas à crise. Fachin suspendeu medidas conflitantes emanadas de diferentes ministros, manteve o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, em seu cargo, retirou Moraes da relatoria do inquérito de fake news e determinou que procedimentos envolvendo investigações contra ministros sejam previamente submetidos à presidência da instituição.
Fachin agendou para terça-feira (15 de setembro) uma sessão plenária destinada a analisar o relatório da Polícia Federal que aponta a relação entre Moraes e Vorcaro, bem como o pedido da Procuradoria-Geral da República para anulá-lo. Uma sessão posterior para avaliar a conduta de Mendonça foi agendada para 23 de setembro.
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