Exército nega posse de duas armas de Bolsonaro
O Comando do Batalhão de Polícia do Exército de Brasília comunicou ao Supremo Tribunal Federal que entregou à Polícia Federal as armas de Bolsonaro que estavam sob sua guarda, porém informou que duas das oito armas alegadamente depositadas na unidade militar não se encontram sob posse da instituição. A manifestação chegou após determinação do ministro Alexandre de Moraes para que o arsenal do ex-presidente fosse transferido aos órgãos federais de segurança.
Conforme o comunicado oficial, as armas de Bolsonaro foram entregues conforme solicitado pela corte suprema. No entanto, uma situação peculiar chama atenção: um dos números de série de uma arma que não foi localizada coincide com a mesma arma que havia sido apreendida em uma blitz em Brasília com um militar do Exército responsável pela segurança do ex-presidente.
Localização das armas não encontradas no Exército
Após a divulgação da posição do Exército, a defesa de Bolsonaro realizou nova verificação em seu arsenal e identificou a localização de uma das duas armas de Bolsonaro faltantes. Conforme os advogados do ex-presidente, uma espingarda se encontra em uma empresa importadora de artigos bélicos no Rio Grande do Sul, onde teria permanecido desde sua chegada como presente.
De acordo com os procuradores de Bolsonaro, o equipamento teria sido oferecido ao ex-presidente como presente e nunca chegou a ser retirado das dependências da importadora. Os advogados solicitaram ao ministro Moraes que indique os procedimentos apropriados para que a arma seja formalmente entregue aos órgãos competentes.
Determinação judicial e lista completa do arsenal
Na manhã de segunda-feira (6), o ministro Alexandre de Moraes expediu ordem para a Polícia Federal receber 8 armas de Bolsonaro que estariam armazenadas no Batalhão de Polícia do Exército. A decisão veio após a defesa do ex-presidente informar na sexta-feira anterior que esse arsenal estava sob a responsabilidade da unidade militar.
O ministro do Supremo Tribunal Federal havia mantido Bolsonaro em prisão domiciliar e simultaneamente determinado a entrega de 10 armas vinculadas ao ex-presidente. Conforme a defesa, das 10 armas de Bolsonaro, duas já haviam sido transferidas para a Polícia Federal em abril de 2023, após determinação do Tribunal de Contas da União.
Especificação do arsenal vinculado a Bolsonaro
A decisão de Moraes lista 10 armas de Bolsonaro vinculadas ao ex-presidente. As oito alegadamente armazenadas no Batalhão de Polícia do Exército incluem:
• Pistola Forjas Taurus calibre .380 Automatic (uso permitido)
• Pistola Forjas Taurus calibre .40 Smith & Wesson (uso restrito)
• Pistola Glock calibre 9x19 mm Parabellum (uso restrito)
• Carabina/Fuzil Springfield Armory calibre 7,62x51 mm (uso restrito)
• Espingarda Typhoon calibre 12 GA (uso restrito)
• Pistola Arex calibre 9x19 mm Parabellum (uso restrito)
• Pistola SIG-Sauer calibre 9x19 mm Parabellum (uso restrito)
• Espingarda Maestro Arms Company (uso permitido)
Conforme informação do Comandante do Batalhão de Polícia do Exército, a Pistola Glock e a Espingarda Maestro Arms Company não se encontram armazenadas no complexo. A defesa afirmou que a espingarda está na importadora sul-rio-grandense.
Duas armas já localizadas com a Polícia Federal
Segundo a defesa de Bolsonaro, outras duas armas de Bolsonaro já estão na posse da Polícia Federal desde 2023. São elas a Carabina/Fuzil Caracal calibre 5,56x45 mm e a Pistola Caracal calibre 9x19 mm Parabellum.
Incidente da blitz e apreensão
No mês anterior, um militar do Exército identificado como Estácio Leite da Silva Filho, responsável pela segurança do ex-presidente, foi interceptado em uma operação da Polícia Militar em Taguatinga, no Distrito Federal, portando uma arma de Bolsonaro. A corporação de segurança pública constatou que Estácio não possuía autorização do proprietário para transportar o equipamento e estava violando dispositivos legais.
A defesa do ex-presidente reconheceu que Bolsonaro solicitou auxílio a um integrante do Gabinete de Segurança Institucional para reparar a arma de fogo registrada em seu nome. Os advogados informaram que a equipe de segurança havia deixado deliberadamente a arma inoperante para mitigar riscos relacionados às condições de saúde mental do ex-presidente.
Indiciamento e procedimentos legais
Estácio Leite da Silva Filho recebeu indiciamento por porte ilegal de arma de fogo, com agravante de ser militar da corporação. O processo segue tramitação ordinária nos órgãos de segurança pública competentes.
.



