Produção audiovisual aborda realidade de violência doméstica
A questão da violência doméstica ganha destaque no cenário cinematográfico amapaense através de uma produção independente que une arte e responsabilidade social. O filme que retrata essa problemática foi integralmente gravado em Laranjal do Jari, município localizado a 265 quilômetros de distância da capital Macapá, e deve chegar aos espectadores até o final de agosto.
Trata-se de uma narrativa fictícia que se fundamenta em experiências autênticas vivenciadas por inúmeras mulheres vítimas de abusos. O diretor do projeto, Dios Furtado, explica que a intenção central é transpor para a linguagem cinematográfica um fenômeno social real que afeta comunidades em todo o estado e no mundo.
Trama e narrativa do longa-metragem
A história central acompanha a jornada de uma personagem feminina que sofreu violência recorrente nas mãos do próprio companheiro. O enredo se desenvolve quando o marido abandona o lar e permanece desaparecido durante duas décadas completas. Durante este período extenso, a protagonista consegue reconstruir sua vida e encontra paz longe da situação abusiva.
O ponto de virada ocorre quando o ex-companheiro reaparece sem aviso, trazendo consigo novamente o caos e a ameaça à estabilidade que havia sido conquistada. Essa estrutura narrativa permite explorar temas como trauma, recuperação e vulnerabilidade.
Para potencializar o impacto emocional e documental da produção, o projeto incorpora depoimentos autênticos de mulheres que vivenciaram situações de violência. Essa abordagem híbrida entre ficção e documentário reforça a mensagem e conexão com a realidade.
Equipe e produção independente
A realização deste trabalho contou com a participação de quarenta profissionais envolvidos em diferentes funções, sendo trinta deles atores que compõem o elenco. A direção foi conduzida por Dios Furtado em parceria com Wanderson Viana como co-diretor, enquanto o roteiro foi desenvolvido por Marcelo Luz, profissional originário de São Paulo.
Uma das principais características da produção refere-se ao compromisso de valorizar talentos locais. Conforme destacou Furtado, foi deliberadamente escolhido que o elenco deveria ser constituído exclusivamente por atores amapaenses, particularmente de Laranjal do Jari. Isso permitiu realizar oficinas de preparação artística com os participantes antes das gravações.
Fomento ao audiovisual e formação artística
Segundo o diretor, a decisão de utilizar elenco local representa mais que uma escolha produtiva. O objetivo é promover o desenvolvimento do audiovisual dentro da comunidade e estimular a formação artística em regiões afastadas da zona metropolitana do estado. Esse aspecto social da produção demonstra compromisso com a democratização do acesso à educação cultural.
As filmagens foram realizadas em múltiplos pontos geográficos de Laranjal do Jari durante um período de quatorze dias concentrados no mês de março. O material capturado está sendo trabalhado atualmente na etapa de pós-produção, com perspectiva de gerar um média-metragem com aproximadamente sessenta minutos de duração para exibição pública.
Planos para lançamento e circulação
Quanto ao planejamento de estreia, a produção ainda avalia diferentes cenários para o lançamento oficial. A estratégia delineada prevê apresentação inicial em um cinema comercial da capital amapaense, seguida por circulação em todo o estado através de um modelo de cinema itinerante, garantindo alcance a públicos em localidades diversas.
A iniciativa reflete a crescente importância de produções cinematográficas que abordem temáticas sociais relevantes, utilizando a linguagem audiovisual como instrumento de conscientização e diálogo sobre problemas estruturais nas relações humanas. O compromisso artístico do diretor em transformar realidades dolorosas em reflexão coletiva marca uma tendência positiva no segmento de cinema brasileiro independente.
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