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Grupo Português Pagará R$ 20,9 Milhões por Desvio na Cidade das Águas

Grupo Português Pagará R$ 20,9 Milhões por Desvio na Cidade das Águas
Fonte: g1.globo.com/mg/triangulo-mineiro/noticia/2020/02/14/grupo-empresarial-deve-pagar-quase-r-21-milhoes-por-desvio-de-recursos-da-cidade-das-aguas-em-frutal.ghtml

Acordo Histórico por Desvio de Recursos Públicos em Frutal

Um importante grupo empresarial com origem portuguesa alcançou um acordo para realizar o pagamento de R$ 20,9 milhões em medidas compensatórias relacionadas ao desvio de recursos públicos identificado pela Operação Aequelis. Esta investigação especial focou em rastrear o desaparecimento de verbas destinadas à Fundação Centro Internacional de Educação, Capacitação e Pesquisa Aplicada em Águas (Hidroex), que deveriam ser utilizadas para construir o Complexo Cidade das Águas, localizado em Frutal, no interior de Minas Gerais.

O acordo firmado envolveu três instituições governamentais: o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), a Controladoria-Geral do Estado (CGE-MG) e a Advocacia-Geral do Estado (AGE). Conforme comunicado oficial do MPMG divulgado em segunda-feira, todos os valores já foram depositados nas contas judiciais designadas para este fim, garantindo a regularização da situação perante os órgãos de fiscalização.

Composição dos Valores Pagos

A estrutura do acordo contempla diferentes componentes financeiros, cada um com finalidades específicas. De acordo com informações prestadas pelo MPMG, R$ 4,7 milhões referem-se ao ressarcimento direto do dano causado ao Estado. Um montante substancial de R$ 10,2 milhões foi direcionado para compensação por danos morais coletivos, reconhecendo o impacto negativo causado à sociedade mineira pelas irregularidades identificadas.

Adicionalmente, R$ 4,7 milhões foram destinados ao pagamento de multa civil, conforme exigido pela legislação de improbidade administrativa. Por fim, uma transferência não onerosa de R$ 1,2 milhão completa o acordo, totalizando os R$ 20,9 milhões estabelecidos entre as partes.

Destino dos Recursos Recuperados

Uma parcela significativa dos valores acordados será destinada especificamente para a Universidade Estadual de Minas Gerais (UEMG), unidade de Frutal. Os R$ 10,2 milhões referentes aos danos morais coletivos serão utilizados no custeio de projetos acadêmicos e científicos desenvolvidos pela instituição. O restante do montante será direcionado aos cofres do Estado para utilização em prioridades governamentais.

A administração dos recursos recuperados segue rigoroso protocolo de fiscalização. Os valores foram depositados em conta judicial específica e serão gastos conforme solicitações e autorizações expedidas pelo poder judiciário. A 3ª Promotoria de Justiça de Frutal designou reunião para discutir as prioridades a serem atendidas pela UEMG com representantes dos estudantes, professores, servidores e sociedade civil local.

Contexto da Operação Aequelis e Investigações

A Operação Aequelis foi deflagrada em maio de 2016 com objetivo de investigar irregularidades graves no processo de construção do Complexo Cidade das Águas. Durante o cumprimento de mandados de prisão em cidades do interior de Minas Gerais e São Paulo, empresários e políticos foram conduzidos pela polícia para responder pelas acusações. As investigações revelaram indícios consistentes de superfaturamento em vários contratos relacionados ao empreendimento.

A auditoria realizada pela Controladoria-Geral de Minas Gerais, concluída em abril de 2016, apontou dano estimado de R$ 9,8 milhões aos cofres públicos. O ex-secretário de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior entre 2012 e 2014, Nárcio Rodrigues, e outras 14 pessoas foram acusados de crimes incluindo organização criminosa, fraude em licitação, obtenção de vantagem indevida, lavagem de dinheiro, peculato e obstrução de justiça.

Extinção da Fundação Hidroex e Transferência de Responsabilidades

Em resposta às irregularidades comprovadas, o governador Fernando Pimentel sancionou lei em setembro de 2016 que extinguiu a Fundação Hidroex, responsável pela gestão do projeto. Com a extinção, a UEMG assumiu todas as responsabilidades, obrigações, programas, projetos, contratos e convênios que estavam sob supervisão da fundação extinta.

Os bens imóveis do complexo foram revertidos ao patrimônio estadual, ficando a cargo da Secretaria de Fazenda (SEF) proceder a destinação adequada dos ativos. Este processo representa importante ação de recuperação do patrimônio público e reorganização administrativa das estruturas que haviam apresentado graves falhas de gestão.

Projeto Original e Aspirações

O Complexo Cidade das Águas foi concebido como centro internacional de pesquisa de grande envergadura, com planejamento para ocupar área superior a 1 milhão de metros quadrados. O projeto deveria ter como foco principal a conservação do patrimônio hidrológico da América Latina e das nações africanas falantes de português, representando iniciativa de relevância internacional.

A construção teve início em 2012, mas não atingiu conclusão devido às irregularidades descobertas e à consequente extinção da Fundação Hidroex. A transferência do projeto para a UEMG abre novas perspectivas para aproveitamento do patrimônio construído em benefício da educação e pesquisa científica da região.

Encaminhamentos e Acompanhamento Judicial

O acordo firmado refere-se a uma das ações de improbidade administrativa em trâmite, mas interfere também em outras ações penais em andamento na Justiça Federal. Réus que ainda não celebraram acordo continuam respondendo seus respectivos processos, garantindo que a responsabilização pelos atos ilícitos prossiga de forma abrangente.

Conforme manifestação do procurador-geral de Justiça de Minas Gerais, Antônio Sérgio Tonet, a solução alcançada representa equilíbrio entre punição dos responsáveis pelos ilícitos e entrega de benefícios imediatos àqueles prejudicados pelos crimes. O Ministério Público reafirma sua posição de não abrir mão da punição devida, enquanto busca compensação efetiva para o Estado e a sociedade afetados pelo desvio de recursos públicos.

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