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Jorge Messi: o pai que assinou o guardanapo histórico do Barcelona

Jorge Messi: o pai que assinou o guardanapo histórico do Barcelona
Imagem: g1.globo.com. Uso informativo; os direitos pertencem ao seu titular.

A morte de uma figura fundamental na história do futebol

Jorge Messi, pai do lendário Lionel Messi, faleceu no último sábado aos 68 anos na cidade argentina de Rosário. Sua morte marca o fim de uma trajetória que deixou uma marca indelével no futebol mundial. Jorge Messi foi muito mais que um pai dedicado; ele foi o arquiteto de um dos momentos mais cruciais da história esportiva, documentado em um simples guardanapo que se tornaria icônico.

O guardanapo que mudou tudo

Um dos documentos mais importantes da história do futebol não é um contrato formal assinado em papel timbrado de luxo. Em vez disso, trata-se de um humilde guardanapo, contendo apenas 52 palavras escritas com tinta azul em dezembro de 2000. Este pequeno pedaço de papel foi assinado por Carles Rexach, então diretor esportivo do FC Barcelona, e representou uma promessa de contratar um jovem talento que posteriormente se tornaria considerado por muitos como o melhor jogador de todos os tempos.

O texto manuscrito no guardanapo era direto e claro: "Em Barcelona, em 14 de dezembro de 2000 e na presença dos senhores Minguella e Horacio, Carles Rexach, diretor esportivo do FC Barcelona, compromete-se, sob sua responsabilidade e independentemente de qualquer opinião contrária, a contratar o jogador Lionel Messi, desde que sejam respeitados os valores acordados."

Os bastidores da negociação crucial

No início de 2000, a Argentina enfrentava um cenário político complexo que tornava ainda mais desafiadora a situação vivida pela família Messi. Jorge Messi estava empenhado em garantir que o talento excepcional de seu filho não seguisse o mesmo caminho de milhares de crianças talentosas na América Latina, que nunca tiveram oportunidade de desenvolver seu potencial.

Lionel Messi tinha apenas 13 anos quando já havia impressionado diversos especialistas em futebol. No entanto, o jovem enfrentava um obstáculo significativo: sofria de uma deficiência hormonal que prejudicava seu crescimento natural. O tratamento médico necessário para contornar esse problema custava aproximadamente US$ 900 por mês, uma quantia extremamente elevada para a família na época.

Jorge Messi havia mantido conversas com dirigentes de importantes clubes, incluindo o River Plate e o Como da Itália, mas nenhuma instituição estava disposta a arcar com os custos do tratamento hormonal do jovem atleta. A situação parecia cada vez mais desesperadora quando dois agentes de jogadores fundamentais entraram em cena: Horacio Gaggioli e Josep María Minguella.

O encontro que decidiu o futuro

Estes dois profissionais conseguiram arranjar para que Rexach, ex-jogador do Barcelona e então responsável pelo departamento esportivo do clube, observasse Lionel Messi em ação. Em setembro de 2000, Jorge e seu filho viajaram para Barcelona, na Catalunha. O que Rexach presenciou o deixou profundamente impressionado com as qualidades técnicas e o potencial do adolescente argentino.

Contudo, naquele período, o FC Barcelona atravessava dificuldades financeiras significativas e não estava em condições de assumir os custos associados a um jovem jogador em desenvolvimento, especialmente considerando o tratamento hormonal necessário. Os meses se arrastaram sem que o clube tomasse uma decisão definitiva, e a situação se tornava cada vez mais insustentável para a família Messi.

Em dezembro de 2000, Jorge Messi tomou uma decisão drástica: voltariam para a Argentina. A esperança estava se esgotando, e o pai precisava proteger o futuro de seu filho. Foi neste momento crítico que Carles Rexach compreendeu a urgência e a importância da situação.

O momento improviso que selou a história

Rexach próprio descreveu posteriormente como tudo aconteceu. Ele havia conversado com Minguella e Horacio no clube de tênis Pompeia, e Jorge havia deixado claro que retornaria a Buenos Aires em breve caso as coisas não se resolvessem rapidamente. "Jorge estava desesperado", relatou Rexach à ESPN. "Numa noite, conversamos por telefone e ele me disse: 'Se isso não se resolver logo, vamos embora. Tenho de voltar para Buenos Aires e não vejo nada'".

Diante dessa ultimatum, Rexach agiu de forma decisiva e impulsiva. Chamou Jorge e Lionel para o café da Reial Societat de Tennis Pompeia, onde estava localizado. Com apenas o material que tinha à mão naquele momento, ele selou um acordo que se tornaria lendário. "A questão de usar um guardanapo foi porque era a única coisa que eu tinha à mão. Vi que a única maneira de tranquilizar Jorge era assinando algo, dando-lhe alguma garantia, então pedi um guardanapo a um garçom e escrevi", explicou Rexach anos depois.

A trajetória brilhante que se seguiu

Um mês depois de o guardanapo ter sido assinado, Lionel Messi se incorporou oficialmente ao FC Barcelona. O que se desenvolveu a partir daquele acordo improvável foi uma das mais extraordinárias carreiras do futebol moderno. Messi estreou na equipe principal aos 16 anos e registrou uma marca impressionante de 672 gols em 778 partidas pelo clube catalão ao longo de suas duas décadas com a instituição.

"La Pulga", como ficou conhecido em todo o mundo futebolístico, conquistou 10 títulos da La Liga espanhola e venceu a Liga dos Campeões em quatro ocasiões diferentes com o Barcelona. Após deixar o clube catalão, ele se transferiu para o Paris Saint-Germain em 2021 e, posteriormente, para o Inter Miami nos Estados Unidos. Atualmente com 39 anos, Messi é o vencedor da Copa do Mundo 2022 no Catar, consolidando seu legado como uma lenda incontestável do esporte.

O guardanapo leiloado e sua autenticidade

Após a assinatura inicial no guardanapo, foram realizadas as consultas apropriadas e ambas as partes concordaram que o documento era totalmente válido, apesar de seu caráter informal. Posteriormente, os documentos formais foram assinados, mas o guardanapo permaneceu como uma anedota fascinante na história da negociação.

Horacio Gaggioli, que havia participado daquela reunião memorável, preservou o guardanapo durante duas décadas. Em 2024, ele entregou o documento histórico à casa de leilões Bonhams em Nova York para que fosse leiloado. O leilão começou com um preço inicial de US$ 300 mil e terminou com um valor próximo de US$ 900 mil, consolidando o guardanapo como um dos documentos mais valiosos da história do futebol.

Ian Ehling, responsável pelo departamento de livros raros e manuscritos da Bonhams em Nova York, descreveu a importância do documento em 2024: "Esse guardanapo mudou a vida de Messi, o futuro do FC Barcelona e foi fundamental para proporcionar alguns dos momentos mais gloriosos do futebol a bilhões de torcedores em todo o mundo".

Embora em determinados momentos tenham surgido questões sobre a autenticidade do guardanapo, investigações posteriores comprovaram definitivamente a legitimidade do documento, confirmando que se tratava realmente do original assinado naquela tarde de dezembro de 2000.

O legado de Jorge Messi

A morte de Jorge Messi encerra um capítulo importante da história do futebol mundial. Seu papel como pai dedicado e negociador perspicaz foi fundamental para abrir as portas que permitiram a Lionel Messi desenvolver seu talento extraordinário. O guardanapo que assinou representa não apenas um acordo entre um clube e um jogador, mas simboliza a perseverança, a coragem e a visão de um pai que acreditou em seu filho quando poucas outras pessoas o fizeram. Jorge Messi deixa um legado que transcende o futebol, lembrando-nos da importância das decisões tomadas nos momentos críticos e das pessoas que nos apoiam em nossas jornadas mais importantes.

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