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Keiko Fujimori é eleita presidente do Peru com 50,135% dos votos

Keiko Fujimori é eleita presidente do Peru com 50,135% dos votos
Fonte: g1.globo.com/mundo/noticia/2026/06/29/eleicoes-no-peru-com-100percent-das-urnas-apuradas-keiko-fujimori-tem-50135percent-dos-votos.ghtml

Keiko Fujimori é eleita presidente do Peru com margem apertada

Com a apuração de 100% das urnas, Keiko Fujimori é eleita presidente do Peru ao conquistar 50,135% dos votos válidos no segundo turno das eleições realizadas em 7 de junho. A candidata de direita acumulou 9.223.396 votos, superando seu adversário Roberto Sánchez, que obteve 49,865% com 9.137.755 votos. O resultado, divulgado pela Oficina Nacional de Processos Eleitorais (ONPE), consolida uma vitória com margem extremamente estreita, refletindo a profunda polarização política que divide o país.

Embora Keiko Fujimori seja considerada a virtual presidente eleita, a oficialização ainda depende de pronunciamento do Jurado Nacional Eleitoral (JNE), órgão máximo responsável pelas eleições no Peru. A declaração oficial está prevista para ocorrer até a próxima sexta-feira, 3 de julho, após a conclusão das proclamações regionais pelo Jurado Especial Eleitoral (JEE).

Uma vitória construída pelos votos do exterior

A trajetória da apuração revelou um cenário de tensão política intensa. Durante dias, o candidato de esquerda Roberto Sánchez liderou a contagem de votos, mas Keiko Fujimori conseguiu reverter essa vantagem graças aos votos de cidadãos peruanos residentes no exterior. Apenas 49.641 votos separaram os dois concorrentes na contagem final, evidenciando o quão acirrada foi a disputa pelo comando do país andino.

A dependência dos votos internacionais para garantir a vitória abriu espaço para contestações. O candidato Roberto Sánchez, filiado ao partido Juntos por el Perú, questionou a validade dos votos do exterior, argumentando que houve irregularidades administrativas e problemas na gestão das cédulas de votação pelo órgão eleitoral. Sánchez apresentou um recurso formal exigindo a anulação desses votos, na segunda-feira, 22 de junho.

Oposição questiona resultado e exige recontagem

Na terça-feira, 23 de junho, Roberto Sánchez escalou o confronto ao alegar fraude nas eleições e convocar seus apoiadores para novas marchas de protesto. O político de esquerda, que não reconhece o resultado, anunciou sua intenção de requerer uma recontagem formal dos votos. Sánchez convocou manifestações para o sábado, 27 de junho, mobilizando seus eleitores em protesto contra o que classifica como irregularidades no processo eleitoral.

Especialistas em direito eleitoral ouvidos pelo jornal peruano El Comercio avaliam que o pedido de anulação dos votos do exterior não possui fundamento jurídico sólido. Segundo esses profissionais, a contestação serve principalmente para atrasar a proclamação oficial dos resultados, estratégia comum em disputas políticas polarizadas.

Discurso de unidade e reconciliação

Quando Keiko Fujimori atingiu uma vantagem irreversível na apuração, na quarta-feira, 24 de junho, ela proferiu um discurso como vencedora de fato do pleito, porém sem reivindicar formalmente a vitória. Cercada por repórteres em Lima, a candidata enfatizou a necessidade de união nacional. "Estamos cientes de que o Peru está dividido, de que está praticamente partido ao meio", declarou Fujimori, sinalizando sua intenção de promover reconciliação entre os segmentos polarizados do eleitorado.

A imprensa peruana reconhece que Keiko Fujimori será declarada a nova presidente do Peru, apesar da recusa de Sánchez em aceitar os resultados. Filha do ex-ditador Alberto Fujimori, ela substituirá o atual presidente José María Balcázar Zelada, de orientação esquerdista, que assumiu o poder de forma interina há apenas quatro meses.

Peru enfrenta crise de instabilidade política prolongada

A eleição ocorre em contexto de grave instabilidade política que assola o Peru há mais de uma década. O país andino enfrentou sucessivas crises que resultaram em múltiplas trocas de comando presidencial em curto espaço de tempo. Nos últimos oito anos, o Peru teve oito presidentes diferentes, estabelecendo um recorde alarmante de volatilidade institucional.

Balcázar Zelada, o atual presidente interino, ocupou o cargo apenas desde fevereiro de 2026, quando substituiu José Jeri. Este último ficou no poder por apenas quatro meses antes de ser destituído pelo Congresso por má conduta, após vir à tona sua participação em reuniões não divulgadas com empresários chineses. Antes de Jeri, Dina Boluarte ocupava a presidência de forma interina, tendo sido destituída por envolvimento em escândalos de corrupção.

Boluarte havia herdado o cargo após Pedro Castillo, ex-presidente eleito, ter sido preso ao dissolver o Congresso e declarar estado de exceção, em uma manobra desesperada para escapar de um processo de impeachment. Essa sequência de crises institucionais reflete as profundas divisões e conflitos que caracterizam a política peruana contemporânea, criando um cenário desafiador para Keiko Fujimori assumir a presidência.

Perspectivas para a oficialização do resultado

A oficialização da vitória de Keiko Fujimori pelo Jurado Nacional Eleitoral marcará o encerramento formal do processo eleitoral. Embora o resultado seja praticamente irreversível numericamente, a resistência política de Sánchez e possíveis recursos legais podem prolongar o período de transição até a posse oficial. A polarização extrema que caracteriza a eleição sugere que a próxima administração Fujimori enfrentará desafios significativos para construir consenso e governar um país profundamente dividido.

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