Falecimento de Maestro Roberto Tibiriçá marca perda para a música brasileira
A música de concerto brasileira chora a perda do maestro Roberto Tibiriçá, um dos maiores expoentes da regência no país, que faleceu na madrugada do sábado, 3 de janeiro, aos 72 anos, em São Paulo. A confirmação do óbito partiu do Theatro Municipal de São Paulo e do Centro Cultural Teatro Guaíra, instituições que reconheceram sua importância fundamental para a cena musical nacional. Embora a causa do falecimento não tenha sido revelada, a morte do maestro Roberto Tibiriçá deixa um vácuo significativo nas organizações que o abrigaram ao longo de sua carreira notável.
Nascido em São Paulo, o maestro construiu uma trajetória de mais de quarenta anos dirigindo algumas das orquestras mais prestigiosas do Brasil. Desde 2022, ocupava o cargo de regente titular e diretor musical da Orquestra Sinfônica do Paraná (OSP), posição que manteve até seus últimos momentos de vida, demonstrando uma dedicação inabalável à arte da regência.
Uma carreira pioneira na formação de gerações de músicos
O percurso artístico do maestro Roberto Tibiriçá iniciou-se na infância, aos oito anos de idade, quando começou seus estudos em piano sob orientação de mestres renomados como Dinorah de Carvalho, Antonio Bezzan e Gilberto Tinetti. Essa base sólida permitiu-lhe desenvolvimento contínuo e especialização em regência, campos nos quais se tornou uma autoridade reconhecida.
Ao longo de sua existência profissional, regeu as principais instituições musicais brasileiras, passando pela Orquestra Sinfônica Brasileira, Petrobras Sinfônica, Orquestra Sinfônica de Minas Gerais, Osesp e, naturalmente, pela Orquestra Sinfônica do Paraná. Sua presença à frente dessas agrupações transformou-as artisticamente e elevou seus padrões de excelência musical.
Legado no Instituto Baccarelli e na comunidade
Um dos períodos mais significativos da carreira do maestro Roberto Tibiriçá ocorreu no Instituto Baccarelli, onde assumiu a direção artística em 2005. Nessa instituição, liderou um processo de expansão e consolidação do projeto musical de Heliópolis, região periférica de São Paulo. À frente da Orquestra Sinfônica Heliópolis, orientou centenas de jovens músicos e promoveu apresentações que marcaram a história cultural da comunidade.
Sua atuação transcendeu a simples regência; Tibiriçá funcionou como catalisador de transformações sociais através da música, abrindo portas para talentos que de outro modo permaneceriam invisibilizados. Esse compromisso com a formação pedagógica e social distinguiu-o entre seus pares e solidificou sua reputação como maestro humanista.
Reconhecimento institucional e últimas atividades
O Theatro Municipal de São Paulo externalizou seu luto ao descrever o maestro Roberto Tibiriçá como um dos nomes fundamentais da música de concerto brasileira. A instituição ressaltou que sua passagem deixou um legado marcado pela excelência artística e pela dedicação incomum à formação de novos talentos.
Mesmo enfrentando problemas de saúde nos últimos tempos, o maestro manteve sua dedicação às atividades profissionais até seus últimos meses. Sua última apresentação ocorreu no dia 16 de julho, em Londrina, quando ainda regeu a Orquestra Sinfônica do Paraná no projeto Guaíra para Todos. Momentos antes, havia conduzido a execução da Sinfonia nº 2, 'Ressurreição', de Gustav Mahler, durante as celebrações dos quarenta anos da OSP, evento que congregou mais de duzentos músicos e coralistas no palco do Guairão.
Manifestações de pesar e despedidas públicas
Cleverson Cavalheiro, diretor-presidente do Centro Cultural Teatro Guaíra, utilizou as redes sociais para manifestar o pesar pela morte do maestro Roberto Tibiriçá, afirmando que a música brasileira estava de luto. Em sua declaração, enfatizou a contribuição indelével de Tibiriçá para o desenvolvimento artístico da Orquestra Sinfônica do Paraná, concluindo que seu legado permaneceria vivo em cada músico, em cada concerto futuro e em cada indivíduo tocado por sua musicalidade.
Cerimônia de despedida e sepultamento
O velório de Roberto Tibiriçá foi realizado no Theatro Municipal de São Paulo com acesso aberto ao público, refletindo a importância cultural da personalidade. No sábado, a cerimônia ocorreu das dezoito às vinte e duas horas, no Salão Nobre do teatro. No domingo, a despedida prosseguiu das oito às doze horas no palco da Sala de Espetáculos. O sepultamento foi agendado para as treze horas de domingo no Cemitério São Paulo.
A instituição teatral paulista expressou sua solidariedade com familiares, amigos, músicos, alunos e todos aqueles que participaram da trajetória extraordinária do maestro, reiterando que seu legado permanecerá vivo na música brasileira, nas orquestras que regeu e, principalmente, nas gerações de músicos cujas trajetórias foram moldadas por seu trabalho exemplar e sua dedicação inabalável à formação musical de qualidade.
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