O Post 365 Dias.
Economia

Miami é nova capital dos ultrarricos nos EUA e ultrapassa Nova York

Miami é nova capital dos ultrarricos nos EUA e ultrapassa Nova York
Imagem: g1.globo.com. Uso informativo; os direitos pertencem ao seu titular.

A ascensão de Miami como epicentro da riqueza extrema

Miami transformou-se na capital dos ultrarricos nos Estados Unidos, consolidando sua posição como destino preferido de bilionários e magnatas mundiais. Essa mudança de paradigma reflete não apenas preferências pessoais, mas mudanças estruturais no mercado imobiliário e nas políticas fiscais que tornaram a região irresistível para o 0,1% mais abastado da população.

O fenômeno alcançou seu pico quando Mark Zuckerberg, fundador do Facebook, adquiriu em março um imóvel por US$ 170 milhões na ilha privada de Indian Creek. Porém, este recorde pode ser brevemente superado pela mansão do corretor de títulos John Daveney em Key Biscayne, avaliada em US$ 237 milhões. A propriedade ganhou fama ao aparecer no filme clássico Scarface de 1983, onde Michelle Pfeiffer desceu pelo icônico elevador de vidro.

Por que Miami conquistou os ultrarricos

A transformação de Miami em capital dos ultrarricos não ocorreu por acaso. Segundo especialistas em mercado imobiliário, vários fatores convergiram para criar o ambiente perfeito para investimentos de magnitude extraordinária. Mayi De la Vega, fundadora da One Sotheby's International Realty, aponta que a ausência de impostos estaduais, clima agradável, segurança robusta e comunidades exclusivas funcionaram como poderosos atrativos.

"Existe uma grande quantidade de pessoas de alta renda que se mudaram para a Flórida em busca dos benefícios oferecidos pela vida em Miami", explica E. B. Solomont, jornalista especializado em mercado imobiliário do The Wall Street Journal. A lista de personalidades que se reposicionaram inclui Jeff Bezos da Amazon, Larry Page e Sergei Brin do Google, além de Ivanka Trump com seu marido Jared Kushner.

O impacto da pandemia na migração de bilionários

A pandemia de Covid-19 acelerou dramaticamente esse processo. Enquanto estados como Nova York, Califórnia e Illinois mantinham restrições rigorosas de saúde pública, a Flórida sob administração de Ron DeSantis reabre suas atividades comerciais e sociais rapidamente. Essa abertura transformou Miami num refúgio para pessoas de alta renda descontentes com lockdowns prolongados em outras regiões.

"Mas foi durante a pandemia que os americanos perceberam que a Flórida estava aberta para os negócios", destaca Solomont. Essa combinação de paraíso fiscal com abertura econômica criou um "fenômeno acumulativo" onde líderes empresariais influentes atraíram outros de seu círculo.

Indian Creek: o bunker dos multimilionários

A ilha privada de Indian Creek representa o pico da exclusividade em Miami, capital dos ultrarricos. Menor que o Central Park em Nova York, essa comunidade fechada possui seu próprio prefeito, sistema de policiamento dedicado e acesso controlado através de uma discreta ponte branca com dois postos de segurança.

"Porque, como se trata de uma ilha particular, ela tem muitas comodidades, lotes grandes e está rodeada de água, o que faz dela um paraíso para os proprietários de barcos, além de ter uma segurança incrível", explica De la Vega. Os lotes em Indian Creek são vendidos por aproximadamente US$ 200 milhões, transformando-a numa verdadeira "ilha de milionários" onde residem Zuckerberg, Bezos e Ivanka Trump.

Outras regiões de ultraluxo em Miami

O mercado de imóveis ultraluxuosos não se concentra apenas em Indian Creek. North Bay Road, uma via de 6,5 quilômetros em Miami Beach, comporta residências de celebridades como Shakira e o casal David e Victoria Beckham. O Wall Street Journal calcula que essa rua concentra aproximadamente US$ 1,7 bilhão em propriedades, transformando-a na via com maior valor patrimonial dos Estados Unidos.

Propriedades de mais de US$ 60 milhões também estão disponíveis em regiões tradicionais como Coconut Grove, Coral Gables e Key Biscayne, demonstrando que a expansão do mercado de ultraluxo transcende enclaves exclusivos.

O fenômeno das "trophy properties"

Mayi De la Vega defende que Miami entrou numa "nova era dos imóveis troféus", onde transações de casas valorizadas em mais de US$ 60 milhões multiplicam-se continuamente. Em 2025, o mercado registrou vendas superiores a US$ 517 milhões exclusivamente em propriedades dessa faixa de preço.

O conceito dos três "L" - localização, localização e localização - governa esse mercado. Imóveis com vista para o mar ou a baía comandam prêmios extraordinários pela simples escassez. "Na situação atual, temos mais compradores do que moradias disponíveis em frente à água. E, até que isso mude, os preços continuarão subindo", afirma Solomont.

Crescimento desproporcional da riqueza

Uma das causas fundamentais dessa inflação de preços reside no acúmulo concentrado de riqueza. O Índice da Desigualdade, elaborado por economistas da Universidade da Califórnia em Berkeley e da Escola de Economia de Paris, revela que o patrimônio do 0,1% mais abastado multiplicou-se por quase 13 vezes nos últimos 50 anos. O estudo categoriza como parte do 0,1% pessoas detentoras de patrimônio superior a US$ 43 milhões.

"Os corretores de imóveis dizem que o valor é aquilo que alguém está disposto a pagar por alguma coisa", explica Solomont. Para indivíduos com bilhões em contas bancárias, adquirir propriedades de US$ 60 milhões em dinheiro vivo não representa excepcionalidade.

Miami supera Nova York em custo de vida

As consequências dessa transformação afetam todos os residentes de Miami. Dados de 2024 do Escritório de Estatísticas dos Estados Unidos indicam que a região de Miami, Fort Lauderdale e Palm Beach - conhecida como Costa Dourada - superou Nova York em custo de vida. A região apresenta custos aproximadamente 5% superiores à área metropolitana nova-iorquina.

Os preços ao consumidor no sul da Flórida aumentaram 36% desde 2019, segundo o Escritório de Estatísticas Trabalhistas dos Estados Unidos. Os preços de moradia dispararam 79% desde a pandemia, enquanto o prêmio médio anual de seguro residencial é o mais elevado do país.

Questionamentos sobre sustentabilidade

Apesar da aparência de crescimento contínuo, analistas levantam questões sobre a sustentabilidade desse mercado. "De certa forma, as pessoas querem saber se existe uma bolha. É realista pagar US$ 75 milhões por uma casa perto da água?", questiona Solomont. Esses patamares de preço dependem da manutenção de um fluxo contínuo de capital entre os ultrarricos globais, um cenário que pode não ser permanente.

Ironicamente, após o pico de migração durante a pandemia, o sul da Flórida vem perdendo habitantes nos últimos anos, sugerindo que o rápido aumento de custos pode estar afastando até mesmo pessoas com rendas significativas, ainda que não bilionárias.

Mais de Economia

Criptomoedas

XRP $1.0320 ▼ 0.54%
Cardano (ADA) $0.1969 ▼ 0.51%
Dogecoin (DOGE) $0.0698 ▼ 0.35%
Bitcoin (BTC) $65,001 ▲ 0.4%

Divisas

USD/BRL5.0998
EUR/BRL5.8826