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Casa Branca ordena limitação do Starshield ucraniano

Casa Branca ordena limitação do Starshield ucraniano
Imagem: g1.globo.com. Uso informativo; os direitos pertencem ao seu titular.

Decisão da Casa Branca sobre o Starshield ucraniano

Segundo informações divulgadas pela Reuters, a ordem para restringir o funcionamento do Starshield, sistema de satélites desenvolvido pela SpaceX, partiu de dentro da Casa Branca. O Starshield Ucrânia representa um componente crítico nas operações militares do país, sendo essencial para comunicações no campo de batalha e orientação de drones nas operações defensivas contra a Rússia.

Dois funcionários americanos e um representante ocidental informado sobre o assunto confirmaram que líderes do Departamento de Defesa receberam uma mensagem indicando que o serviço necessitava ter suas funcionalidades limitadas. Os funcionários, que mantiveram o anonimato, não especificaram quem dentro da administração presidencial tomou a decisão nem quem foi responsável pela sua implementação.

Impacto operacional nas forças ucranianas

As autoridades ucranianas relataram que os receptores do Starlink destinados a uso militar pararam de funcionar quando instalados em objetos que se movem em alta velocidade. Essa limitação afetou significativamente o desempenho dos drones ucranianos, que dependem do sistema para seus mecanismos de orientação em território ucraniano.

De acordo com um porta-voz do Ministério da Defesa da Ucrânia, os receptores voltaram a operar em movimento, porém apenas em velocidades limitadas a 160 quilômetros por hora. Essa restrição compromete missões ofensivas contra forças russas e estruturas logísticas em territórios ocupados, além de reduzir a velocidade dos drones interceptadores responsáveis por derrubar os drones de ataque russos modelo Shahed que se aproximam das linhas ucranianas.

Pressão americana sobre ataques às refinarias

A implementação de restrições ao Starshield ocorre em contexto de pressão exercida pelo presidente Donald Trump sobre Kiev para interromper os ataques contra refinarias russas. Trump responsabiliza esses ataques pela alta dos preços de energia, argumentando que essa elevação prejudica as perspectivas de seu Partido Republicano nas eleições legislativas de meio de mandato previstas para novembro.

Contudo, especialistas apontam que o aumento dos custos de energia decorre principalmente do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, que resultou em ataques iranianos a instalações energéticas e afetou a navegação pelo Estreito de Ormuz, via estratégica para o comércio internacional de petróleo.

Posicionamento das autoridades americanas

Em resposta às questões sobre a ordem de limitar o Starshield, um alto funcionário americano afirmou que "o presidente nunca fez tal pedido", fazendo referência a Donald Trump. A Casa Branca, no entanto, não respondeu a perguntas sobre a possibilidade de outros membros do governo ter solicitado a restrição. O Departamento de Defesa dos Estados Unidos e a embaixada da Ucrânia também se recusaram a comentar a situação.

Elon Musk, proprietário da SpaceX, declarou que, como os sistemas Starshield pertencem ao governo americano e são por ele controlados, qualquer limite de velocidade ou de uso é estabelecido exclusivamente pelas Forças Armadas americanas ou pelo presidente.

Deterioração nas relações bilaterais

A tensão entre Ucrânia e Estados Unidos se intensificou após reunião realizada em Miami no dia 9 de outubro, que contou com representantes dos dois países, bem como integrantes da Europa e do Banco Mundial. Jared Kushner, genro de Trump, e Steve Witkoff, enviado governamental para o Oriente Médio, adotaram postura severa com autoridades ucranianas durante o encontro.

Durante a discussão, a delegação americana expressou frustração com a continuação dos ataques de Kiev contra refinarias russas, apesar das solicitações repetidas de Washington para sua suspensão. A delegação também comunicou a decisão dos Estados Unidos de firmar um acordo de fornecimento de diesel com a Rússia, esperando que a medida suavizasse a posição moscovita nas negociações de paz.

Consequências diplomáticas

O acordo de diesel prevê que a Rússia forneça mais de 2,25 milhões de barris aos mercados americano e internacional. A decisão gerou reação negativa de parlamentares americanos que argumentam que ela fornecerá recursos financeiros a Moscou para prosseguir a guerra sem obrigar o presidente Vladimir Putin a fazer concessões para encerrar o conflito.

Nos dias subsequentes, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky e Trump trocaram críticas públicas. Zelensky classificou a decisão americana sobre o acordo de diesel como "fraca", enquanto Trump pediu a realização de eleições na Ucrânia e a saída de Zelensky do poder. Nos bastidores, autoridades americanas ameaçaram interromper o fornecimento de informações de inteligência sobre lançamentos de mísseis russos, utilizadas pela Ucrânia para prevenir ataques.

Trump afirmou, na terça-feira, que os Estados Unidos continuavam compartilhando dados de inteligência com a Ucrânia, buscando amenizar as tensões diplomáticas crescentes entre os dois países.

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