O Post 365 Dias.
Política

Governo critica Flávio Bolsonaro por tarifas nos EUA

Acusação do governo contra Flávio Bolsonaro sobre tarifas nos EUA

A Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República divulgou comunicado oficial nesta terça-feira, acusando o pré-candidato e senador Flávio Bolsonaro de cometer traição à pátria ao participar de audiência nos Estados Unidos que abordava a aplicação de tarifas contra produtos brasileiros. O senador, durante sua apresentação, dirigiu críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao governo do presidente Lula, além de ataques ao Partido dos Trabalhadores (PT).

Na ocasião, Flávio Bolsonaro estava acompanhado pelo irmão, o deputado cassado Eduardo Bolsonaro, que reside nos Estados Unidos, e proferiu seu discurso integralmente em língua inglesa. A postura do senador gerou reação imediata da administração federal, que considera haver distinção fundamental entre fazer oposição ao governo e fazer oposição ao país como um todo.

Declaração oficial da Presidência da República

O comunicado oficial emitido pela Secretaria de Comunicação ressaltou que "divergir do governo é legítimo", porém enfatizou que "convocar uma potência estrangeira a pressionar o próprio país é traição à Pátria". De acordo com o texto, existe "uma diferença essencial entre fazer oposição ao governo e fazer oposição ao país e ao povo brasileiro".

Flávio Bolsonaro argumentou durante sua participação nas audiências públicas que o momento atual seria o "pior possível" para a imposição de novas tarifas ao Brasil, alegando que tais medidas beneficiariam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em um ano eleitoral. Entretanto, segundo a análise do governo, o senador não se posicionou claramente contrário às tarifas propostas.

Atividades diplomáticas do governo brasileiro

Enquanto o pré-candidato do PL participava da audiência, o governo brasileiro mantinha simultaneamente reunião técnica com representantes norte-americanos. Funcionários do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, do Itamaraty, do Ministério da Justiça e do Palácio do Planalto estavam em negociação com técnicos do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) para reverter as tarifas aplicadas contra o Brasil.

A Presidência da República enfatizou que o governo brasileiro negocia ininterruptamente com os Estados Unidos desde julho de 2025 para contornar as tarifas impostas injustificadamente. Em contraposição, a administração apontou que Flávio Bolsonaro tentava "politizar" as relações bilaterais entre os dois países.

Críticas ao posicionamento do senador

Segundo a avaliação oficial, o senador não rebateu as alegações infundadas do governo norte-americano para taxar o Brasil. Em seu lugar, optou por legitimar os resultados de investigação considerada injusta contra empresários e trabalhadores brasileiros. O governo argumenta que Flávio Bolsonaro não negou que a campanha promovida por sua família e seus aliados teria originado as tarifas atuais contra o Brasil.

Participação em audiências públicas do USTR

As audiências públicas promovidas pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos encontram-se abertas aos interessados que se inscrevem formalmente. Flávio Bolsonaro obteve seu espaço para falar no evento mediante inscrição no processo de participação pública, conforme informado por seu gabinete.

Após comunicar que havia solicitado participação nas audiências do USTR, o Ministério das Relações Exteriores publicou mensagem nas redes sociais afirmando que "traidores da pátria" devem um pedido de desculpas pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil.

Resposta formal do Brasil à investigação norte-americana

O governo brasileiro apresentou resposta formal na quinta-feira anterior à conclusão da investigação norte-americana sobre as tarifas propostas. A administração de Donald Trump acusa o Brasil de práticas "irrazoáveis" que "oneram ou restringem" o comércio com norte-americanos, citando entre elas o PIX, o desmatamento ilegal, a pirataria e falhas na aplicação de leis anticorrupção.

Em documento assinado pelo chanceler Mauro Vieira e enviado ao governo americano, o Brasil argumentou em sete pontos que o USTR não comprovou que políticas brasileiras sejam discriminatórias ou criem barreiras ao comércio norte-americano. O governo também afirmou que críticas americanas ao PIX e a decisões do STF não constituem questões comerciais, mas sim divergências sobre políticas internas brasileiras.

Prazos para negociação tarifária

O governo trabalha com o prazo de 15 de julho para fechar um acordo tarifário, data estabelecida pela USTR para uma definição sobre o tema das tarifas nos EUA e seu impacto nas relações comerciais entre as nações.

Análise da participação nas audiências públicas

Segundo cálculos apresentados pela Secretaria de Comunicação da Presidência, 78 entidades e pessoas físicas, brasileiras e norte-americanas, inscreveram-se para se manifestar sobre as tarifas propostas ao Brasil. De acordo com a avaliação do governo, 63 participantes posicionaram-se contra o tarifaço, enquanto 15 declararam-se favoráveis.

Entre as 44 intervenções de norte-americanos, 30 declararam-se contrários às tarifas e 14 manifestaram apoio. No caso dos 34 inscritos brasileiros, apenas Flávio Bolsonaro não se posicionou contrário às medidas contra o Brasil, optando por sugerir o adiamento com objetivos que a administração caracteriza como eleitoreiros.

Mais de Política