Pedro Alliana assume a presidência do Paraguai
Pedro Alliana, vice-presidente do Paraguai, foi empossado como presidente do país nesta sexta-feira (6) após a aprovação do impeachment de Santiago Peña. A transição acontece em contexto de grave instabilidade política e financeira, marcada pelo colapso de uma instituição bancária de grandes proporções que afetou milhões de clientes.
A cerimônia de posse ocorreu no Congresso do Paraguai imediatamente após a votação que confirmou a destituição de Peña. Alliana, que com 52 anos tinha exercido o cargo de vice-presidente, assumiu o poder em um momento crítico para as finanças e credibilidade do país.
O escândalo que levou ao impeachment de Santiago Peña
A crise política que resultou na destituição de Santiago Peña originou-se de um grave escândalo envolvendo a instituição financeira Ueno, pertencente ao Grupo Vázquez. O banco fechou as portas na terça-feira (3), após o Banco Central iniciar o processo de liquidação.
As autoridades monetárias identificaram uma insuficiência crítica de recursos para cumprir as obrigações da instituição. Essa deficiência estava associada a empréstimos irregulares concedidos a empresas vinculadas ao próprio banco, caracterizando operações suspeitas e potencialmente fraudulentas.
A magnitude do impacto é alarmante: o Ueno tinha aproximadamente 3 milhões de clientes e administrava cerca de US$ 850 milhões em depósitos públicos, incluindo recursos pertencentes ao Instituto de Previdência Social do país.
Acusações contra Santiago Peña e conflito de interesses
Santiago Peña foi acusado de múltiplas irregularidades que fundamentaram sua remoção do cargo. As principais acusações incluem conflito de interesses, manipulação de normas regulatórias e desvio de recursos destinados à previdência social.
Um ponto crucial na acusação: Peña, que é economista, funcionou como acionista do grupo proprietário do Ueno até março do ano anterior. Sua posição privilegiada permitiu-lhe conhecimento detalhado das operações questionáveis do banco enquanto exercia a presidência.
Além disso, a acusação aponta que o Banco Central do Paraguai teria encobrimento de problemas sérios na instituição, sugerindo conluio entre autoridades monetárias e a administração presidencial para encobrir irregularidades.
Imediatamente após a conclusão da votação que ratificou a perda de seu mandato, Peña foi preso pela Polícia Federal do Paraguai.
Promessas do novo presidente Pedro Alliana
Durante seu discurso de posse, Pedro Alliana reconheceu a gravidade da situação e fez compromissos públicos para restaurar a confiança nas instituições. O novo presidente prometeu que todos os cidadãos cujos depósitos foram congelados no Ueno receberão integral reembolso de seus fundos.
Essa promessa representa uma tentativa de conter o pânico financeiro e restaurar a credibilidade das autoridades perante a população afetada pelas operações do banco falido.
Quem é Pedro Alliana
Pedro Alliana é natural de Pilar, localizado no departamento de Ñeembucú, na região sudoeste do Paraguai. Com 52 anos, é casado e pai de quatro filhos.
Na juventude, demonstrou talento atlético, integrando a seleção paraguaia de basquete e participando em torneios nacionais da modalidade. Formou-se em Relações Internacionais pela Universidade San Sebastián e trabalhou no setor comercial antes de sua entrada na vida política.
Trajetória política de Pedro Alliana
Alliana é membro do Partido Colorado (Associação Nacional Republicana), a mesma legenda de Santiago Peña e historicamente a força política dominante no Paraguai. Sua carreira política inclui experiência significativa em diversos cargos públicos.
Entre 2008 e 2012, exerceu a função de governador do departamento de Ñeembucú, sua região de origem. Posteriormente, foi eleito deputado, permanecendo na Câmara de Deputados durante dez anos, entre 2013 e 2023. Durante esse período, liderou a bancada do Partido Colorado na Câmara entre 2015 e 2023, demonstrando influência política relevante.
Em abril deste ano, antes dos eventos que levaram ao impeachment de Peña, Alliana anunciou sua pré-candidatura à presidência do Paraguai para as eleições previstas para 2028. Seu lançamento contou com apoio declarado de Santiago Peña e do ex-presidente Horacio Cartes, então uma indicação de continuidade política que foi abruptamente interrompida pela crise institucional.
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